Confeitaria com amor e técnica: conheça a história de Karla Fachinelli, docente e vencedora do Programa Que Seja Doce, do GNT

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Ela ficou conhecida nacionalmente após ter participado e vencido o programa Que Seja Doce, do canal GNT. Mas a relação da atual docente do Senac Bento Gonçalves Karla Fachinelli com a confeitaria é antiga e repleta de muitas memórias de afeto, oriundas da sua infância e sua adolescência. 

Em Garibaldi, Karla foi criada pela sua avó materna, Izeta. Naquela época, a avó sequer imaginava que seria uma das pessoas que mais inspiraram a carreira da neta no ramo da confeitaria. A avó gostava muito de fazer doces e, em especial, com o que era cultivado em casa, como uva e abóbora. “Eu cresci com a minha vó em volta do fogão à lenha. Um dos seus programas favoritos era o ‘Cozinha Maravilhosa da Ofélia’. Só que, como a minha avó era analfabeta, quando eu estava brincando, ela me chamava para anotar a receita apresentada na tv e acabávamos preparando juntas. Ou seja, ajudar a minha avó a entender me ajudou a ser a profissional que sou hoje”, conta ela. 

Quando o amor pela confeitaria tornou-se profissão

O preparo de doces na infância deixou boas lembranças na vida de Karla, mas o despertar para a profissão de Confeiteira levou certo tempo. Até 2012, Karla trabalhava com as áreas de Vendas e Administrativo, sendo seu último emprego nessa função em uma vinícola da região da Serra Gaúcha. Quando ainda trabalhava na vinícola, começou a produzir doces para festas como uma forma de obter uma renda extra. 

“A confeitaria sempre me brilhou os olhos e eu comecei vendendo doces em datas comemorativas (Páscoa, por exemplo) e depois produzindo doces para eventos. Chegou um ponto que eu estava com muita demanda, então tive que colocar na balança: o que eu quero fazer? Amava a vinícola onde eu trabalhava, mas decidi me dedicar somente à confeitaria”, conta Karla, que mudou de área aos 35 anos. 

Durante 3 meses, Karla estudou pâtisserie nas renomadas Lenôtre, Le Cordon Bleu, Michalack e teve aulas particulares com Manon Derouet e Chef Pâtissier de Pierre Hermé.

A partir da decisão, Karla foi em busca de muitas especializações para obter mais conhecimento no ramo. Em 2013, fez o curso de chocolates belga Barry Callebaut, em São Paulo, e também fez o Curso de Confeiteiro do Senac, em Bento Gonçalves. No mesmo ano, abriu a Karla Fachinelli Doçaria Boutique, focada em doces para eventos. Ela conta que seu negócio teve dois momentos distintos: o início, antes de ir estudar na França (2014), e uma fase após estudar no país estrangeiro, referência em Gastronomia. 

“No início, eu trabalhava com muitos eventos. Depois, fui para a França e tive que aprender francês antes de ingressar no curso de confeitaria. Quando retornei, segui um tempo trabalhando para eventos, como casamentos. Mas, há um ano e meio, criei o ateliê Le Chocolat com uma proposta diferenciada, e atualmente foco mais nos produtos do ateliê”, relata Karla, que revela ter conseguido pagar o estudo na França com a renda dos doces feitos para eventos. 

Participação no programa Que Seja Doce

Muito antes de abrir seu ateliê, em 2019, Karla participou da segunda temporada do programa Que Seja Doce, do canal GNT, em 2015. Ela conta que tinha assistido a primeira edição e, por isso, quando viu as inscrições abertas decidiu tentar, mas não acreditava que seria selecionada. “Eu pensava: quem vai escolher uma menina do interior do Rio Grande do Sul para participar de um programa em São Paulo? Mas aquela edição do programa teve como tema ‘Doce de Infância’, e eu tinha todo o histórico com a minha avó que contei na entrevista de seleção.”

Karla relata que foram dois dias intensos de gravação e que o cenário, de fato, é de pressão – câmeras e pessoas em todas as partes do estúdio. Além disso, teve que utilizar, pela primeira vez, certos equipamentos como fogão de indução e um ultra congelador. “Cheguei nervosa, claro, porque realmente é um cenário tenso. Mas consegui focar no preparo e esquecer o que estava na volta. A primeira prova consistia no preparo de uma mousse de chocolate. Depois, o doce de infância mesmo que venceu a edição foi uma releitura de doce de abóbora, que era o doce que a minha avó fazia, porque ela costumava fazer doces com o que tínhamos em casa. Posso dizer que me inscrevi por pura curiosidade, mas durante a gravação consegui focar e esqueci do que estava à minha volta, apesar das ‘atrapalhadas’ que acontecem mesmo durante a gravação” . 

Veja aqui a receita vencedora.

Cuidado com a matéria-prima e capricho: essenciais para um confeiteiro de sucesso 

Depois dessa trajetória com doces para festas, passagem por reality show e abertura do seu próprio ateliê, Karla, agora, também é a mais nova integrante do corpo docente de Gastronomia do Senac Bento Gonçalves, desde março de 2021.  “Estou gostando muito de dar aula. Ouço coisas tão bonitas dos meus alunos que me fazem lembrar minha infância, de quando eu ajudava a minha avó a cozinhar. Está sendo realmente uma troca”, diz ela.

Apesar de ficar pouco tempo com os alunos de forma presencial, devido às imposições da pandemia, ela conta que sempre compartilha sua visão de mercado e do que os alunos precisam para se diferenciarem. “Não estamos em um curso de confeitaria avançada, mas busco instigar os alunos a irem além do básico. Aliás, até mesmo um doce básico, simples, deve ser feito com muito capricho, ser apresentado de uma forma que faça a gente ‘comer com os olhos’, e, claro, sem deixar de primar pelo sabor sempre”, destaca.

Capricho é fundamental 

A docente do Senac destaca que um dos grandes diferenciais de um Confeiteiro é o cuidado com o preparo e apresentação do doce. “Em meus cursos, especialmente na França, o que os professores mais cobravam era precisão e padronização. E quando me refiro a capricho é utilizar régua mesmo, balança, para que tudo saia bem feito e com o mesmo padrão de apresentação”, acrescenta ela.

Claro, Karla relata que a cozinha não é feita só de previsões e receitas que dão certo. Aliás, muitos fatores influenciam no preparo e muitos imprevistos acontecem. “Durante uma aula, tivemos um problema no forno. Até isso é aprendizado, pois situações como essas acontecem a todo momento na profissão. Você precisa resolver o problema e fazer a entrega para o cliente. Um outro exemplo é uma massa que às vezes não cresce, dá errado, e precisamos pensar em conjunto: o que aconteceu aqui que deu errado?”. 

E, para finalizar, Karla explica que a confeitaria é um campo aberto para inúmeras possibilidades. “Eu quero que meus alunos saiam do curso tendo uma noção de qual área irão trabalhar – seja só com confeitaria francesa, ou doces para festas, ou com chocolate, que por si só é um universo à parte. Mas, o mais importante de tudo, é que eles absorvam as dicas, façam o preparo com cuidado e executem o trabalho com muito capricho”, declara.

Inspirada pela infância, Karla foi em busca de conhecimento técnico ao longo de sua trajetória como Confeiteira, tendo inclusive aprendido um novo idioma, o francês, para estudar fora. Apesar de ter tido a confeitaria como uma atividade relacionada a memórias de afeto, Karla também reconhece: “fazer doces em casa é muito diferente de exercer a confeitaria de forma profissional. A confeitaria trabalha com precisão, pois precisamos entregar sempre o melhor, de forma padronizada e bem feita”. 

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