Dia do Meio Ambiente: o que o home office tem a ver com preservação ambiental?

Tempo de leitura: 5 minutos

Amanhã, 5 de junho, é o Dia Mundial do Meio Ambiente. E você, já parou para refletir neste ano de como fazer a sua parte na preservação ambiental? O que o home office e a pandemia tem a ver com esse tema? É o que os tutores do curso técnico em Meio Ambiente do Senac nos explicam abaixo: 

Home office gerou certos benefícios ao meio ambiente, mas você precisa fazer a sua parte em casa

Por Letiéri Calvete da Rocha*

A pandemia da Covid-19 reforçou uma modalidade de trabalho antes pouco explorada e praticada nas instituições: o home office. Tecnicamente viável e repleto de benefício, ele chegou para ficar em muitas empresas, já que equilibra temas importantes que estão diretamente ligados à qualidade de vida, à produtividade, à necessidade de interação social e à sustentabilidade.

O desgaste ambiental do nosso planeta não era novidade antes da pandemia chegar. O mundo todo sabia das previsões de catástrofes que nos aguardavam em um futuro não tão distante, mas ainda ouvíamos que não havia provas contundentes de que o efeito estufa e a falta de sustentabilidade dos hábitos de vida da humanidade a levariam ao caos.

Com a crise desencadeada pelo novo coronavírus, as provas produzidas são verdadeiras e irrefutáveis. Segundo dados divulgados pela NASA e também pela Agência Espacial Europeia que mapearam através de sondas a qualidade do ar, no primeiros trimestre da pandemia, houve uma diminuição mundial de cerca de um milhão de toneladas de CO2 emitidas por dia na atmosfera, isso em porcentagem, demonstra uma diminuição de 43% de gases de efeito estufa.

Outros estudos demonstram, como os realizados pela Fundação Espaço ECO (fundada e mantida pela BASF), que a relação sustentabilidade e home office é importante e deve ser valorizada: antes da pandemia (2018), a empresa apurou junto aos seus colaboradores que a grande maioria deles deslocava-se, em média, 24 km por dia para o trabalho, sendo que 49% deles utilizavam carro, 22% preferiam metrô ou trem, 14% fretado e apenas 12% iam trabalhar de ônibus. Como os meios de transportes preferidos são, também, os que mais poluem a atmosfera, foi possível calcular quanto de CO2 essa fração de colaboradores emite por ano: 1170 toneladas, só no deslocamento para o trabalho.

Com base nesses dados, os estudiosos da Fundação Espaço Eco fizeram uma projeção: se os colaboradores que foram alvo da pesquisa fossem alocados para a modalidade teletrabalho por um único dia da semana, 230 toneladas de carbono deixariam de ser jogadas na atmosfera terrestre, o que equivaleria a 23 viagens ao redor da Terra por um veículo pequeno.

Será que ainda há alguma dúvida de que o home office também tem benefícios para a sustentabilidade do nosso planeta?

E o que podemos fazer em nossas casas para que o home office permaneça sendo uma ação sustentável e ecoeficiente?

_ Desligar os equipamentos da tomada quando não estivermos usando;
_ Configurar o computador para consumir menos energia;
_ Optar por lâmpadas mais econômicas, como as de LED;
_ Abrir as janelas, usar a luz solar, assim aproveitamos ao máximo a ventilação e a luminosidade natural;
_ Ao montarmos nosso escritório ou posto de trabalho em casa, considerar comprar móveis usados e equipamentos que consumam menos recursos, além de utilizar de forma criativa o que já temos;
_ Produzir menos resíduos, comprando e consumindo de forma mais consciente, até mesmo optando por produtos e marcas com selo verde;
_ Realizar sua própria alimentação, adotando hábitos mais saudáveis, como o consumo de frutas, verduras e hortaliças;
_ Reciclar os resíduos buscando saber um pouco mais sobre esse tema e aplicando de forma direta em nosso cotidiano.

Busque comprar de feirantes locais e leve sua própria ecobag.


O grande aprendizado dessa forma de trabalho híbrido é que devemos sempre adotar comportamentos com consciência ambiental tendo mudanças a nível individual e corporativo. Com os novos desafios, a sociedade começou a refletir sobre a sustentabilidade, a cultura consumista e o seu verdadeiro papel no agravamento das mudanças climáticas, além da finitude dos recursos naturais que podem levar a sociedade e o planeta a deixarem de existir um dia.

Expandindo a consciência: o uso de plástico nos serviços de delivery e take-away

Por Lucas Pisoni da Silva**

Você sabe quais são os resíduos sólidos que nós, brasileiros, mais geramos? 45,3 % dos resíduos que produzimos são resíduos orgânicos. Em 2º lugar temos o plástico com cerca de 16,8 % seguido dos rejeitos com 14,1%. (ABRELPE. 2020). 

O plástico é um dos resíduos com maiores malefícios para a nossa sociedade por ser um material com elevado tempo de decomposição e com uma cadeia de poluição e contaminação extensa. Por que isso acontece? Esses materiais podem vagar pelos rios e oceanos por distâncias imensas, afetando a fauna e a flora, impactando negativamente o turismo, transportando contaminantes químicos e podem representar uma ameaça à saúde humana.

Com a pandemia este material tem sido amplamente utilizado principalmente em serviços de delivery e take away. A startup Mobills Labs fez um levantamento deste setor e constatou que os gastos com aplicativos de entregas de alimentos cresceram 187% desde o início da pandemia.

Acontece que muito do plástico produzido vai parar em locais inadequados. Um dos principais impactos ambientais oriundos pela ineficiência dos serviços de gestão dos resíduos sólidos a nível mundial é, sem dúvida, a presença de plástico e microplásticos nos oceanos.

Os animais acabam ingerindo as partículas maiores que ocasionam morte por obstrução do sistema digestivo. Já organismos menores, como, por exemplo, o plâncton, absorvem microplástico que acaba entrando na base da cadeia alimentar. Dessa forma os seres humanos, ao se alimentarem das proteínas oriundas dos mares e oceanos, também são impactados pela ingestão desse material. 

Uma pesquisa realizada pelo IPEC (Inteligência em Pesquisa e Consultoria) apontou que 72% dos consumidores não querem ter em seus pedidos o uso de plástico descartável. A empresa Uber Eats que já lhe dá a opção de não receber em seus pedidos talheres descartáveis, guardanapos e canudos. O mercado também oferece algumas boas opções quando se trata das embalagens como, por exemplo, o uso do papel cartonado em delivery.

Devemos aproveitar esse novo momento que estamos vivendo para expandirmos os índices de empresas e consumidores que pensam na sustentabilidade do nosso planeta e de seus negócios. Como fazer isso? Uma ideia é repensarmos a forma como consumimos, dando prioridade para as empresas de alimentos que se utilizam de outros tipos de materiais que não o plástico. 

Autores: 

*Tutora EAD dos cursos técnicos em Meio Ambiente e Qualidade do Senac EAD. Graduada em Biologia – hab. Licenciatura plena pela Universidade Luterana do Brasil (ULBRA). Tem Especialização em Meio Ambiente e Sustentabilidade pela CESUCA Faculdade Inepe e pós-graduanda em Sistema de Gestão Integrado da Qualidade pela Faculdade Senac São Paulo.

** Tutor EAD dos cursos técnicos em Meio Ambiente e Qualidade do Senac EAD. Graduado em Engenharia Ambiental, Mestre em Avaliações de Impactos Ambientais pela Universidade La Salle.

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