Como começar a empreender na Confeitaria

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A partir de um doce, nasce um negócio. Quem não conhece histórias de pessoas que começaram a vender doces porque perderam o emprego, precisavam de renda extra ou, simplesmente, queriam mudar de profissão? Acontece que empreender na Confeitaria é preciso mais do que saber fazer doces. Exige planejamento, muito estudo e persistência. 

A docente dos cursos da área da Gastronomia do Senac Santa Cruz do Sul Cátia Leal Silveira explica que, para empreender na área, o primeiro passo é sinalizar alguns pontos iniciais: “Você terá que se planejar, definir seus pontos fortes, reconhecer o seu público-alvo, traçar um planejamento financeiro, montar seu cardápio, reconhecer o quanto de tempo você levará na sua produção, contabilizar os gastos, precificar o seu produto, conquistar seu cliente e ter muita criatividade”. 

Erros comuns de quem está começando

Entre os erros mais comuns de quem está começando a empreender na confeitaria apontados pela docente Cátia estão: não ter um planejamento, começar sem saber o quanto custa todo o processo e não ter dimensão do quanto de tempo e energia terá que se dedicar ao produto. “Por isso que os pontos iniciais citados anteriormente são de profunda importância para o início do empreendimento. Podem parecer simples, mas exigem tempo e muita dedicação”, destaca.

Ramos da área e formas de trabalho 

De acordo com a docente, a confeitaria é um negócio abrangente pois tortas, bolos, doces e salgados estão presentes em muitos momentos, marcando presença em festas, reuniões, brunchs, entre muitos outros eventos, sempre com muita elegância e sabor. “Isso torna a área muito ampla e muito rentável para quem tem a técnica e domínio da habilidade culinária, sendo que o confeiteiro ainda tem a possibilidade de atuar em vários mercados de trabalho tanto para empresas quanto no seu próprio negócio”, ressalta. 

Mercado de trabalho  

Com a pandemia, os principais eventos diminuíram, mas outras formas de movimentar este setor foram criadas, impulsionando o mercado de trabalho e surgindo possibilidades de inovação. É com otimismo que o setor olha para 2021 e para os próximos anos. Não é só de eventos que vive o setor. Inclusive, hoje vemos crescer o número de negócios especializados em tipos de doces – alguns vendem só cookies, ou só brownies, ou apenas trufas de chocolates. Descobrir a sua vocação, o doce que você gosta de produzir e se tem a aceitação do público é muito importante. 

Existe preço fixo para o trabalho? 

Cátia afirma que o preço varia de acordo com o produto que se vende. A qualidade da matéria-prima, por exemplo, torna-se um elemento importantíssimo na hora de calcular o valor de venda. 

Dificuldades em precificar os produtos 

Um grande número de pessoas que se aventura na produção sem o conhecimento acaba por ter prejuízos, pois calcular e precificar incorretamente o preço de venda pode acarretar uma perda de até 20% dos lucros. “São diversos motivos que induzem ao erro. O mais frequente deles é se basear no preço da concorrência. Para que isso não ocorra, é importante entender alguns conceitos básicos que ajudarão na hora da formação de preço. São eles: o markup ficha técnica, custos fixos e custos variáveis”, comenta a docente. 

A importância da apresentação dos produtos 

De grande importância, a apresentação é o primeiro contato do cliente com o produto. O fato de comer é uma experiência que envolve todos os sentidos. “O visual tem muita influência na decisão do que comemos. Encante seu cliente e surpreenda com o sabor”, indica. 

O empreendimento de Patrícia 

Patricia Inês Konzen tem 34 anos, é natural de Santa Cruz do Sul e formada no curso de Confeiteiro do Senac Santa Cruz do Sul. Atua há dois anos na área de bolos, tortas, sobremesas, pães, docinhos gourmet, linha fit, etc. Juntamente com seu marido, Juliano, decidiu empreender e criou a Aconchego Doce Confeitaria, um espaço destinado à preparação cuidadosa de alimentos, com a essência “comfort food”, ou seja, aquele preparo que traz carinho e aconchego para os clientes. “Nossas produções são sob encomenda e preparamos cada pedido com muito cuidado e amor”, comenta Patrícia. 

De acordo com a confeiteira, a principal dificuldade ao iniciar é acreditar na própria capacidade ou confiar no próprio trabalho: “Difícil no início, mas, com o passar do tempo, o reconhecimento e o carinho dos clientes nos dão certeza do caminho que estamos seguindo. Para quem está começando, o meu conselho é que tenha perseverança, acredite em si e no seu trabalho. Faça tudo com muito amor e dedicação que, com certeza, dará tudo certo”. 

Futuramente, a santa-cruzense tem projetos de expandir a Aconchego Doce para outra cidade ou para um espaço maior. “Tenho muita vontade de compartilhar tudo que aprendi neste tempo, principalmente no Senac, empreendendo através de cursos ou algo nesse sentido”, projeta. 

Curso de Confeiteiro no Senac-RS

O curso de Confeiteiro do Senac-RS, com carga horária de 300 horas, desenvolve as competências de organizar e supervisionar o trabalho na confeitaria, realizar o pré-preparo, o preparo e a finalização de tortas, doces e salgados. Também observa métodos de cocção e padrões de segurança e qualidade dos alimentos, relacionando-se com a equipe e clientes de forma ética e autônoma. “A metodologia do curso é voltada para a prática, com estratégias para simular vivências reais. Os alunos são constantemente desafiados a reconhecerem técnicas e situações que os proporcionam habilidades para atuação no mercado de trabalho”, ressalta a docente Cátia. 

Além da parte prática na cozinha, o curso também proporciona, segundo a aluna Patrícia, conteúdos para quem quer vender, precificar e desenvolver estratégias de marketing. “É um diferencial para quem quer empreender, pois fornece toda a bagagem necessária para orientar no começo do negócio. E o conhecimento técnico dos docentes também auxilia muito na definição do caminho a seguir através de suas experiências”, lembra. 

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