Jovens e educação financeira: vamos falar sobre dinheiro?

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Segundo o SPC Brasil, apenas 25% dos jovens realizam controle de suas finanças. As pesquisas mostram que um percentual grande dos inadimplentes são jovens. As causas? Para a economista-chefe da Fecomércio-RS, Patrícia Palermo, isso pode ser um somatório. “Da falta de experiência de vida, pouca educação formal, quase nenhuma educação financeira, aliada a características muito comuns a todos os jovens como a impaciência, a intempestividade e a necessidade de pertencimento a grupos pode levar muitos jovens a uma situação de caos financeiro quando passam a ter mais acesso a dinheiro e a outros meios de pagamentos”, disse a especialista. 

“Da falta de experiência de vida, pouca educação formal, quase nenhuma educação financeira, aliada a características muito comuns a todos os jovens como a impaciência, a intempestividade e a necessidade de pertencimento a grupos pode levar muitos jovens a uma situação de caos financeiro.”

É importante falar sobre dinheiro em casa 

Essa realidade, porém, poderia ser amenizada. “Em primeiro lugar está a educação formal: conhecimentos básicos de matemática ajudam bastante. Além disso, em relatório recente sobre competência financeira do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA 2018), a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) destacou a importância da participação dos pais no letramento financeiro dos filhos. Ter alguém em quem confiamos conversando sobre algo que consideramos interessante e importante nos torna mais atentos às informações e nos coloca em alerta para escaparmos de armadilhas de consumo”, explicou Patrícia.

 

Para os alunos do curso de Aprendizagem Profissional em Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Senac Comunidade, Isabela Fontoura (16 anos) e Daniel Ribeiro (20 anos), falar em casa sobre dinheiro sempre aconteceu. “Sempre participei de alguma maneira das conversas sobre os gastos, e quando comecei a trabalhar isso se tornou cada vez mais comum. Tive a liberdade de decidir como o meu dinheiro seria gasto, porém essa liberdade só foi possível devido a uma construção de muitos anos, na qual eu fui ensinada sobre a relação com o dinheiro. Mesmo que inicialmente eu tenha tido problemas em me organizar, tive muito apoio, e recebi orientação de como controlar e entender os meus gastos”, contou Isabela. Na casa de Daniel, o diálogo sobre finanças e controle sempre partiu da mãe. “Minha mãe me dizia para administrar meu dinheiro, para nunca ficar no vermelho e sempre ter uma reserva, mas sou o único da família que segue este ensinamento “, disse. 

Momento certo existe? 

Quando é o momento certo, se é que existe, para se conversar sobre dinheiro em casa? De que forma os pais e responsáveis podem falar sobre o assunto com as crianças? A economista responde: “A vida cotidiana nos depara com uma série de situações em que o conhecimento sobre finanças pessoais pode nos ajudar muito. Então, obviamente respeitando a maturidade da criança, não perca a oportunidade de conversar a respeito e busque provocar reflexões sobre o tema”. 

Então, segundo Patrícia, não existe uma datação rígida para começar a tratar de finanças pessoais em casa. “Com crianças pequenas, uma visita ao supermercado pode funcionar como uma aula sobre prioridades, necessidades e pequenos luxos. Com crianças um pouco mais velhas, a introdução da mesada pode ajudar no entendimento de que escolhas têm consequências. Aos poucos, é bom introduzir noções de planejamento e despertar o interesse sobre finanças pessoais”, aconselhou. 

A conversa em casa sobre finanças funcionou para os jovens Daniel e Isabela. Trabalhando há um ano, Daniel contou que é um ótimo administrador do próprio dinheiro. Anota tudo em um caderno onde coloca o valor que recebe e todos os gastos durante todo mês. “Nunca fiquei com dívida alguma e sempre sobra para cumprir meus objetivos pessoais”, afirmou.  

O mesmo faz Isabela. A diferença é que a jovem utiliza aplicativos que auxiliam no controle dos gastos. “Também tracei objetivos para o meu dinheiro. Assim, sei exatamente quanto preciso economizar para alcançar tal meta”. Tem dívidas? Já se perdeu e deixou de pagar alguma conta? “Nenhuma. Por ser menor de idade e não possuir nenhum tipo de crédito, é muito mais tranquilo manter o controle, porém é inevitável que não ocorra aquele famoso “pagar depois” em compras informais com comerciantes próximos. Confesso que isso me fez refletir sobre como eu lidaria posteriormente com cartões de crédito, por exemplo. A minha experiência com o dinheiro hoje me ensinou coisas que com certeza farão diferença no futuro”.  

Isabela arrisca a dar uma dica para os demais jovens: “Sabemos que hoje em dia não há muito acesso e nem incentivo a educação financeira para os jovens, principalmente aqueles que vivem em situações mais vulneráveis. Não é algo que pode ser aprendido na escola e, muitas vezes, aprendem da forma mais difícil, quando esses jovens tornam-se empregados e passam a ter algum poder de compra. É um universo muito novo e as chances de acabarem caindo nas tentações do consumo são muito altas. É importante que procurem entender a importância de aprender sobre dinheiro, mesmo que às vezes precisem fazer isso sozinhos”. 

Os alunos do Senac Isabela (16 anos) e Daniel (20 anos) conversam sobre dinheiro com a família em casa.

Dá para aprender na internet? 

Sozinhos? Será? Os jovens têm como aprender a lidar com dinheiro pela internet, por exemplo? Onde buscar orientação? Patrícia Palermo acredita que o momento em que estamos mais aptos para aprender é quando precisamos daquele conhecimento ou estamos genuinamente interessados naquele aprendizado. “A internet além de disponibilizar um sem fim de conteúdos permitiu esse consumo on demand, facilitando o acesso à informação exatamente no momento em que ela é necessária. O indivíduo “dá um Google” e na sequência aparecem artigos, vídeos, podcasts sobre aquele assunto. E, obviamente, em meio a esse mar informacional há conteúdos muito bons e outros muito ruins. O desafio é fazer uma curadoria do conteúdo, mas está longe de ser impossível. Para questões introdutórias e despertar o interesse, a internet faz muito bem esse papel. Para aprofundamentos em determinados assuntos é importante estudar um conteúdo. Não são vídeos de cinco minutos no Youtube que farão pessoas tornarem-se especialistas, ainda que muitos acreditem que sim”, explicou. 

As dicas da economista 

Para facilitar o caminho para uma boa educação financeira, a economista-chefe da Fecomércio-RS preparou algumas dicas.

Economista-chefe da Fecomércio-RS, Patrícia Palermo. Crédito da foto: Thallys da Costa.

Confira: 

1) Comece conhecendo a sua situação financeira. Para isso, não confie na sua contabilidade mental, ela é traiçoeira. Coloque tudo no papel (ou num aplicativo), e verifique se os seus gastos estão indo para aquilo que realmente importa para você.  

2) Planeje-se! Quer algo, faça um plano para alcançar. Não gere frustrações desnecessárias: faça planos com metas realistas.   

3) Cuidado com os impulsos. Separar recursos por finalidade ajuda a se manter na linha.  

4) Estipule valores baixos de limites para o cartão e para o cheque especial. 

3) Tudo requer estudo! Quer aplicar? Primeiro estude! Entenda o seu perfil de investidor e as várias aplicações que você pode fazer e os riscos associados. 

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